sábado, 22 de novembro de 2014

Vasco volta para a Série A, mas torcedor dá o recado: não é o suficiente

A torcida do Vasco protagonizou neste sábado (22) um momento histórico no Maracanã. Apesar do time ter garantido o retorno à Série A do Brasileirão com uma rodada de antecedência, o vascaíno deu o recado: não é o suficiente. Após o apito final do arrastado empate por 1 a 1 com o Icasa, o barulho das arquibancadas era de vaias e gritos de "time sem vergonha".

É inadmissível que um time do tamanho do Vasco da Gama dispute a Série B em um curto espaço de seis anos. Pior ainda é terminar essa competição, cujo nível técnico é nitidamente frágil, em um simples terceiro lugar.

Se formos listar todos os erros do Vasco ao longo deste ano, precisaremos de vários capítulos. Vamos tentar, porém, citar apenas alguns dos problemas táticos e técnicos do time dentro de campo.

O Vasco começou muito mal o torneio, talvez ainda sofrendo o impacto do título perdido no último minuto do Estadual, com um erro grotesco da arbitragem. Mesmo com uma baixa perspectiva de melhora, o presidente Roberto Dinamite optou por manter o treinador após a pausa para a Copa do Mundo. O momento ideal para a troca era justamente aquele.

O tempo passou e Adilson seguiu com resultados ruins. O técnico insistia em uma formação com pontas e apenas um atacante, o que não combinava com as características do elenco. Após um vergonhoso 5 a 0 dentro de São Januário sofrido perante ao Avaí, finalmente acabou demitido. Na trajetória, chama a atenção também derrotas para Luverdense e Vila Nova.

Joel Santana chegou com a esperança de botar ordem na casa. No início, até deu sinais de que poderia resolver os problemas, mesmo com alguns empates incômodos. Mas os velhos erros voltaram, a formação com pontas também e, a subida para a Série A passou a ser um drama. O Vasco permanecia sem objetividade no ataque, muito influenciado pela opção tática de colocar apenas Kléber dentro da área, tornando-o uma peça nula, e com a defesa batendo cabeça, sendo facilmente golpeada pelos contra-ataques rivais. Felizmente, os adversários diretos ajudaram e também permaneciam com sequências de derrotas e empates, mantendo o Gigante da Colina no G-4.

Aos trancos e barrancos, o Vasco conseguiu o retorno à primeira divisão, local que nunca deveria ter saído. Com Eurico Miranda de volta, fica o desafio de tornar o time de futebol competitivo novamente, além de moralizar o clube e as outras modalidades também esquecidas.

Enquanto o fim de ano não chega e as mudanças não começam, feliz ano novo, vascaíno!

domingo, 2 de novembro de 2014

Sucesso apenas entre estrangeiros, Liga de futebol da Índia é ofuscada pelo críquete

De um lado, uma milionária e recente Liga de futebol, repleta de craques consagrados internacionalmente por clubes e seleções, com salários astronômicos. Do outro, um país aonde a pobreza é predominante nas ruas das principais cidades, com crianças e adultos implorando por comida e dinheiro e trabalhadores trocando o esforço físico por baixas remunerações. Em meio aos contrastes vividos pela Índia, estrelas como Zico, Trezeguet e Del Piero tentam criar uma nova cultura esportiva em um país que ainda desconhece tais personagens, ofuscados por um taco e uma pequena bola, principais instrumentos do críquete.

Sob forte influência da Inglaterra, a chamada Indian Super League nasceu de uma parceria local com uma empresa da Europa, que se inspirou nas famosas Major League Soccer e até mesmo na NBA, torneio de basquete dos Estados Unidos. Assim, foram criados oito times com jogadores indianos e estrangeiros colocados pela organização, que procurou nivelar as equipes. São elas: Atlético de Kolkata, Kerala Blasters FC, Pune City, FC Goa, Chennaiyin FC, Mumbai City, Delhi Dynamos e Northeast United.

Além de recuperar atletas que já haviam se aposentado, como o francês Robert Pires e o sueco Ljungberg, o campeonato conta com oito brasileiros dentro de campo. Os principais nomes são André Santos e Elano, ambos ex-Flamengo. O lateral-esquerdo defende o Goa, time treinado pelo ídolo rubro-negro Zico, enquanto o ex-meia da seleção atua pelo Chennaiyin FC. Quem vem obtendo mais destaque, entretanto, é um jogador mais conhecido pelos fãs do Brasil que gostam de games. O meia André Moritz, que teve passagens rápidas por Internacional e Fluminense e é mais famoso em jogos de computador, como o Football Manager, anotou nada menos do que três gols na goleada do Mumbai City por 5 a 0 em cima do Pune City, equipe de Trezeguet.

Apesar dos gols e da presença de grandes craques, a Liga vem repercutindo muito mais no exterior do que na própria Índia. Ao caminhar pelas ruas e parques públicos da capital Nova Déli, por exemplo, é raro ver jovens trocando passes e chutes com a bola de futebol. Por outro lado, em cada esquina, é normal se deparar com grandes aglomerações em volta de improvisados campos de críquete. Muitos indianos, inclusive, sequer ouviram falar em Del Piero, campeão pela Juventus e pela seleção italiana, que joga atualmente no Delhi Dynamos.

"Não conheço essa pessoa. Quem é?", perguntou o jovem Deepak, que afirmou desconhecer a Indian Super League e citou apenas o nome de Ronaldo, quando indagado sobre futebol.

Já a imprensa indiana tenta colaborar com a expansão da modalidade no território. Um dos mais tradicionais jornais do país, o "The Times of India", estampa frequentemente nas páginas de esportes o noticiário do torneio. O futebol local, aliás, divide as atenções com a Premier League, da Inglaterra, que também tem espaço na mídia, ao lado, é claro, do críquete e do tênis, também popular nessa parte da Ásia. Uma das emissoras de televisão também transmite os jogos, aonde é possível constatar que os estádios costumam ficar cheios apenas no interior. Na capital, o público ainda é muito pequeno.

A reportagem também percorreu lojas esportivas em busca de camisas e outros artigos das equipes indianas. Depois de buscar em diferentes pontos da cidade, como o comércio de rua e em shopping centers, porém, acabou retornando mesmo ao Brasil de mãos vazias, uma vez que só foram encontradas roupas de grandes clubes europeus, como Barcelona, Real Madrid e Manchester United, presentes em lojas das marcas patrocinadoras.

"Já ouvi sobre o campeonato no noticiário, mas não sei aonde vendem produtos dos times. Para falar a verdade, você foi a primeira pessoa que me perguntou sobre isso aqui", ressaltou um vendedor.

A primeira temporada da Indian Super League terá três meses de duração, chegando ao fim no dia 20 de dezembro. Nessas semanas que restam, porém, jogadores, treinadores e dirigentes precisarão muito mais do que jogadas bonitas, passes precisos e gols para conquistar o público indiano. Serão necessárias insistentes estratégias de marketing e até mesmo ações sociais. A Índia tem uma população de cerca de 1 bilhão e 252 milhões de habitantes. O país conta com um grave problema de desigualdade social. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Índia tem 42,1% de diferença social só na educação.

Enquanto isso, clubes brasileiros, se cuidem! A Indian Super League pode estar de olho no seu jogador para a próxima temporada!