terça-feira, 22 de julho de 2014

Dunga: um enorme retrocesso para a seleção brasileira

Foto: Mowa Press
Ao que parece, a geração que acompanha atualmente a seleção brasileira vai se acostumar com façanhas negativas históricas. Depois de presenciarmos o maior vexame que já passamos, ao perder a Copa do Mundo, em casa, por 7 a 1 naquela semifinal contra a Alemanha, vemos agora o maior retrocesso que poderíamos ter. A volta de Dunga soa como uma história de terror para o nosso futebol.

É difícil entender como a CBF tomou essa decisão. Enquanto temos vários treinadores estudiosos, com uma vasta carreira no país e até no exterior, Dunga dirigiu apenas um clube durante a vida: fracassou no Internacional, em 2013, três anos depois de ficar desempregado no primeiro desafio, que foi justamente a seleção.

Dunga deixou a seleção brasileira pela porta dos fundos, após o fiasco na Copa do Mundo de 2010. Sem qualquer experiência anterior, demonstrou teimosia ao convocar jogadores altamente contestáveis, como Felipe Melo. Além disso, foi ríspido e mal educado com várias pessoas, principalmente jornalistas, exagerando na reclusão dos jogadores durante a competição. Isso sem falar na total deficiência no comando da equipe, que não tinha jogadas e nem variações táticas. Não deixou saudades e nem amigos.

O que gera mais espanto é que, na época da demissão, foi bastante criticado pelo até então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que anunciou uma necessidade urgente de renovação. E justamente agora, quando precisamos de fato de uma renovação, o próprio Dunga é anunciado como técnico.

Temos agora um ex-empresário como coordenador de seleções e um técnico sem qualquer grande conquista, com uma infinidade de críticas e reclamações e pouquíssimos elogios. Como falar para o povo brasileiro acreditar no hexacampeonato e torcer pelo Brasil? Complicado. Pelo visto, os próximos anos serão mais duros do que imaginávamos.

domingo, 13 de julho de 2014

A dor em ver a seleção brasileira levar 10 gols em dois jogos

O torcedor brasileiro está em prantos com a situação
da seleção (foto: Marcello Dias / Agência O Repórter)
Desde pequeno, sempre ouvi o seguinte conselho da minha mãe: "filho, nunca faça nada de cabeça quente". Assim, resolvi escutá-la e esperei alguns dias para escrever sobre a dor que senti ao presenciar a humilhação da seleção brasileira na Copa do Mundo, diante da Alemanha, em um Mineirão lotado naquele fatídico dia 8 de julho. Para piorar a situação, ainda tomamos mais três da Holanda, quatro dias mais tarde, na decisão do terceiro lugar.

Todos já sabiam que enfrentar a equipe alemã não seria nada fácil. O Brasil já vinha jogando mal e nossos oponentes, por outro lado, derrubando grandes forças, como Portugal e França. O mesmo time de Joachim Low, entretanto, empatou com Gana na primeira fase e, nas oitavas, só passou pela Argélia na prorrogação. Sendo assim, a esperança existia. Afinal de contas, será que éramos piores do que Gana e Argélia? No fim das contas, descobrimos que fomos sim neste Mundial.

O problema da seleção nem de longe foi a escalação de Bernard na vaga de Neymer. É lógico que, com o nosso camisa 10 em campo, poderíamos perder de menos ou esboçar alguma reação em alguma jogada individual. Se Felipão fechasse o meio com três volantes, poderia também conter um pouco do ímpeto ofensivo rival, no entanto, nada que nos garantisse a tão sonhada vaga para a final.

Quando o jogo começou, chegamos a atacar nos dois primeiros minutos, passando uma falsa impressão de que o time ia bem. Mas não demorou muito para vermos o inacreditável.

Do alto da tribuna de imprensa do Mineirão, fazendo a crônica da partida, eu ainda estava desenvolvendo o lance do segundo gol quando saiu o terceiro. Não consegui completar nem mesmo a frase e vi também o quarto e o quinto. Abandonei momentaneamente o texto. Fiquei olhando para o campo, sem reação. Nunca poderia imaginar que seria testemunha do maior fiasco da história do futebol brasileiro. Para o nosso bem, espero fielmente que o Brasil nem de longe passe perto dessa tragédia, muito maior do que a que perdurou por tantos anos: um derrota por 2 a 1 para o Uruguai na final da Copa de 1950.

Desde a campanha da Copa das Confederações, cheguei a dar um voto de confiança para Felipão e Parreira. Pensei que eles eram a nossa melhor chance de conquistar um título que parecia distante com os fiascos de Dunga e Mano Menezes. Estava na cabeça com a imagem vencedora de um Scolari campeão em 2002 e de um Parreira inteligente, estudioso de futebol, organizador do Footecon. Errei feio.

Vimos nesta Copa do Mundo que a Copa das Confederações não servia de nada. A vice-campeã, Espanha, caiu na primeira fase. Os outro semifinalistas? Itália também foi na fase inicial, enquanto o Uruguai morreu nas oitavas diante da Colômbia. Infelizmente, a competição pré-Copa não serviu para base nenhuma. Ou melhor, serviu apenas para nos iludir.

Felipão pagou pela teimosia. Não soube se reinventar quando precisava inovar. Insistiu durante todo o torneio em um esquema tático que não funcionou, quando deveria ter alterado no terceiro jogo da primeira fase, depois que tropeçamos diante do México. Além disso, mostrou que a convocação teve brechas. Ao constatar que Fred não conseguia render, percebeu que o reserva Jô não estava preparado para assumir o lugar. Ficamos, assim, sem centro-avante.

Isso sem contar a falta de confiança e os problemas psicológicos graves do elenco. Sem querer questionar os métodos da psicóloga contratada pela CBF, mas, é difícil entender como ela não fazia parte da comissão técnica. Visitava o grupo apenas eventualmente, enquanto estava na cara a fragilidade emocional, muito em função da idade da maioria.

Mas agora é tarde para fazer uma caçada às bruxas. Precisamos tratar as goleadas como elas realmente soaram: um vexame. Não foram apenas seis minutos de apagão ou jogos isolados. Pagamos um mico dentro da nossa própria casa. Nenhuma seleção pentacampeã mundial leva 10 gols em dois jogos por contratempos.

É necessário agora cuidar com mais carinho do nosso futebol e realizar uma reformulação completa, a começar por um novo técnico, com um perfil inovador. Nada de conservadorismo ou autoritarismo. É necessário que a nova comissão técnica da seleção saiba ouvir e coloque em prática novas ideias.

Está dolorido e vai demorar para digerirmos o vexame que acompanhamos com a nossa seleção, mas, vai passar. Ainda somos o futebol pentacampeão do mundo, porém, nem por isso vamos nos acomodar. Daremos a volta por cima, por mais que a tarefa seja árdua e sem garantias de retorno.

Choramos hoje uma tragédia sem precedentes. Que nossos próximos atletas tirem forças e honrem a camisa que vestirem. O hexa não veio em casa, mas, a Rússia é logo ali.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Análise da Colômbia, adversária do Brasil nas quartas de final da Copa

Depois do sufoco que a seleção brasileira passou contra o Chile nas oitavas de final, a tensão em torno do duelo contra a Colômbia, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo, aumentou para boa parte dos torcedores. O time dirigido pelo argentino José Pekerman é bem montado taticamente e possui um enorme diferencial: a habilidade do meia James Rodríguez. É possível que a equipe de Felipão consiga avançar ainda no tempo normal, entretanto, vai precisar deixar de lado as desatenções do jogo anterior.

A ausência de Luiz Gustavo, suspenso, certamente vai ser aproveitada pelos colombianos. O jogador seria a peça fundamental para marcar individualmente o camisa 10 rival. Sem ele, Felipão precisará nomear outro "cão de guarda" para grudar no principal atleta adversário e, assim, anulá-lo. O principal nome, agora, deve ser o de Fernandinho.

PROVÁVEL TIME TITULAR

Ospina, Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero; Aguilar, Sánchez, James Rodríguez e Cuadrado; Teófilo Gutiérrez e Jackson Martínez.

DEFESA

A defesa colombiana levou apenas dois gols nesta Copa do Mundo, virtude, principalmente, do consistente goleiro Ospina. Pekerman monta uma linha com Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero. O lateral-direito Zuñiga avança bastante para o campo ofensivo, virando um ponto forte nas tabelas com o meia Cuadrado. O retorno, entretanto, é lento, gerando um ponto para o Brasil explorar. Além disso, a média de idade da defesa colombiana é alta. Só o capitão Yepes tem 38 anos. Sendo assim, a velocidade dos atacantes brasileiros deve ser usada como uma arma para marcar os gols.

MEIO DE CAMPO

Aguilar e Sanchez apoiam pouco, priorizando mais a cobertura defensiva em função das saídas dos laterais para o ataque. Assim, James Rodríguez e Cuadrado cuidam da transição para os centro-avantes e também das finalizações de fora da área. James é extremamente técnico, tem um ótimo passe, sabe fazer lançamentos e finaliza com muita precisão de fora da área. Deve ser marcado de perto. Se o Brasil der espaço para que Rodríguez receba a bola nos pés, terá muitos problemas.

Com a marcação funcionando em James Rodríguez, as jogadas da Colômbia se voltam para o lado direito, com as chegadas de Zuñiga e Cuadrado pela ponta. É possível que o ataque bata exatamente em Marcelo, lateral-esquerdo brasileiro, forçando uma menor saída do jogador ao ataque.

ATAQUE

Carlos Bacca era visto como o substituto de Falcao, que sequer veio à Copa em função de uma lesão. O jogador, no entanto, também enfrentou problemas musculares. Assim, a tendência é que Pekerman mantenha a dupla Téo Gutiérrez e Jackson Martinez. Caso participe de alguma parte do jogo, Bacca é o jogador de referência a ser evitado. Já Gutiérrez não costuma ter grande movimentação dentro da área, procurando apenas um bom posicionamento para o chute final. Martínez, por outro lado, é forte e possui boa mobilidade.

RESERVAS

Além do já citado atacante Bacca, o meia Quintero é uma peça que tem grandes chances de entrar no segundo tempo. Possui características semelhantes a James Rodríguez, se aproximando bastante dos homens de frente. Caso precise reforçar a marcação, a principal alternativa é Fredy Guarín, jogador ágil e com boa saída de bola.

CONCLUSÃO

A Colômbia vem apresentando um futebol melhor do que o do Brasil nesta Copa do Mundo, o que não significa, porém, que seja favorita. A força da torcida cearense tem tudo para pesar em uma eventual superioridade brasileira. É preciso, de cara, anular as jogadas de James Rodríguez, evitando que o meia receba a bola e tenha espaço para criar. Também é necessário ficar atento às laterais, principalmente nas chegadas de linha de fundo do lado direito colombiano. Se o Brasil souber explorar a falta de velocidade dos defensores rivais, tem tudo para garantir a vaga para a semifinal.