sábado, 28 de junho de 2014

Análise do Chile, adversário do Brasil nas oitavas de final da Copa

Foto: Marcello Dias / Agência O Repórter
Pela segunda vez consecutiva, o Brasil enfrenta o Chile nas oitavas de final de uma Copa do Mundo. Há quatro anos, despachamos os nossos colegas de continente com uma goleada de 3 a 0, exatamente na mesma fase. Agora em 2014, na nossa casa, temos a obrigação de ao menos conseguir uma vitória. A seleção chilena possui muita qualidade técnica e, principalmente, tática. Mesmo assim, está longe de ser um bicho-papão.

Embora seja bem montada pelo inteligente técnico Jorge Sampaoli, que sabe ler o jogo e fazer alterações interessantes no decorrer do torneio, o time do Chile é composto por jogadores bem conhecidos do futebol brasileiro, o que facilita no confronto. Um dos principais articuladores do meio de campo é Aránguiz, que atua no Internacional. Além de saber defender, tem qualidade no passe e chega na frente como elemento surpresa. Deve ser encarado de perto pela defesa brasileira. Já Vidal, outra peça fundamental no elenco, vem de lesão e não está 100% fisicamente, o que pode prejudicar os chilenos.

PROVÁVEL TIME TITULAR

Claudio Bravo, Silva, Medel e Jara; Isla, Díaz, Aránguiz, Vidal e Mena; Alexis Sánchez e Vargas.

DEFESA

Sampaoli deve alinhar o time com três zagueiros. O goleiro, Claudio Bravo, é firme e experiente. A regularidade rendeu, inclusive, uma transferência ao Barcelona, novo clube do atleta. Foi um dos melhores da primeira fase. Medel é o principal homem da defesa, também usado para uma ligação com o meio de campo. Foi dúvida durante a semana, mas, deve ser confirmado na equipe. Jara e Silva devem ser os companheiros na contenção.

ALAS

Pela direita, Sampaoli confia bastante em Isla, apontado por muitos jornalistas como o melhor da posição na primeira fase. Apoia com qualidade e pode ser usado como uma arma para os ataques pelas pontas, principalmente nas tabelas com Sánchez. O posicionamento de Neymar pela esquerda, no Brasil, pode ajudar a segurar um pouco mais o jogador.

Já a esquerda é de Mena, jogador do Santos. Tem menos qualidade do que o colega da direita. Se o poder ofensivo de Neymar pela esquerda tiver dificuldades na passagem por Isla, uma mudança de lado pode facilitar o ataque da equipe de Felipão.

MEIO-CAMPO

Além de Aránguiz e Vidal, compõe o setor Díaz, o "pulmão" do time. Tem baixa estatura e, por isso, o jogo aéreo não é o forte. Marca com disposição e raramente é visto parado em campo.

ATAQUE

O Chile não joga com um centro-avante de área como a maioria. Sampaoli prefere utilizar dois jogadores com características de pontas. Alexis Sánchez, do Barcelona, é a principal estrela e o mais perigoso da seleção. Muito rápido, sabe exercer bem o papel que o croata Olic utilizou no jogo de abertura da Copa e infernizou a defesa do Brasil. Além de cruzar, também infiltra com qualidade. É nossa maior preocupação, uma vez que Daniel Alves e Marcelo vêm deixando brechas na defesa, uma vez que avançam bastante e vêm sendo lentos na recuperação.

O outro jogador é Vargas, ex-Grêmio. É o atleta que atua dentro da área, entretanto, costuma abrir pelos lados em vez de buscar o centro. Tem qualidade e, se tiver espaço, vai em busca do gol.

RESERVAS

Se precisar correr atrás do resultado, Sampaoli pode lançar Valdívia. Como conhecemos bem, por atuar no Palmeiras há bastante tempo, tem a técnica de um típico camisa 10 e, por isso, não é bom deixá-lo com espaço em campo. Outro jogador para o meio é Felipe Gutiérrez, que entrou bem nas partidas da primeira fase, além de Beausejour, que se aproxima mais dos homens de frente. Já para o ataque está à disposição Pinilla, ex-Vasco, atleta de bom chute e bom posicionamento, porém, com pouca velocidade e habilidade.

CONCLUSÃO

Se o Brasil começar o jogo imprimindo um ritmo forte que leve a um gol nos primeiros minutos, dificilmente o Chile conseguirá se recuperar. Com uma boa organização tática, porém, a equipe de Sampaoli tem potencial para equilibrar o jogo. A seleção brasileira é mais técnica e possui melhores talentos individuais, sendo considerada a grande favorita. O time de Felipão, entretanto, não pode relaxar na marcação, principalmente pelas pontas. Segurar mais os nossos laterais pode ser uma boa maneira de conter Sánchez e os alas chilenos.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A invasão de vândalos chilenos ao Maracanã

Acostumados a correr atrás de pautas, jornalistas do mundo todo viram a notícia cair no colo antes da bola rolar entre Espanha e Chile nesta quarta-feira (18). Enquanto trabalhavam na sala de imprensa do Maracanã, foram todos surpreendidos por uma invasão de torcedores do Chile, sem ingressos, que tentavam entrar no estádio na marra.

Os chilenos entraram no centro de mídia quebrando e derrubando tudo o que viam pela frente. Todos buscavam um espaço aonde pudessem acessar as arquibancadas. Ao verem que o portão havia sido fechado, quebraram portas e paredes. Apavorados com a situação, alguns voluntários ficaram bastante nervosos.

Vale ressaltar que, com o grupo, também haviam pessoas de mais idade e até mesmo mulheres. Algumas passaram mal e foram atendidas no local.

Pouco depois, policiais militares chegaram e foram realizando a detenção daqueles que foram capturados. Inevitavelmente, alguns se dispersaram, chegaram à arquibancada e se misturaram com torcedores.

Sem dúvida, essa minoria chilena não representa os milhares que deram um show durante a partida ao torcer de maneira apaixonante pelo Chile, que eliminou a Espanha no Maracanã. Os invasores, que vieram de longe para fazer baderna no país vizinho, serão deportados pela Polícia Federal. Que não voltem nunca mais.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A difícil missão de circular por São Paulo

A seleção brasileira já chegou a São Paulo e, consequentemente, também cheguei. Vim um pouco mais cedo do que nossos jogadores, uma vez que a capital paulista é sede também do congresso da Fifa, marcado para a próxima semana. O difícil mesmo, porém, tem sido circular pela cidade.

Na véspera da viagem, já sabíamos que a capital paulista enfrentaria problemas durante a semana. O metrô, principal meio de transporte, estaria fora de funcionamento em função de uma greve. Com isso, o caos estava instalado, com ônibus superlotados e o trânsito um verdadeiro inferno.

No primeiro dia, com apenas um compromisso marcado para o final do dia, a coletiva do presidente da Fifa, Joseph Blatter, do presidente da CBF, José Maria Marin, e de outros dirigentes da entidade máxima do futebol e governantes brasileiros, tudo estava, em tese, folgado. Apenas em tese mesmo. Para começar, o tempo não resolveu ajudar e, no próprio Rio de Janeiro, local de partida, uma neblina resolveu fechar aeroportos e atrasar os voos da manhã.

Contratempo aéreo resolvido, chegara a hora da aventura por São Paulo. Do aeroporto de Congonhas, nem pensar em passar na hospedagem para deixar as malas, o jeito era conseguir um táxi e partir direto para o hotel aonde aconteceria o evento. Felizmente, o caminho ajudou e tudo deu certo. A volta, entretanto, foi mais difícil, uma vez que o engarrafamento já incomodava.

Mas o grande problema vinha mesmo no dia seguinte. A greve dos metroviários continuou, fazendo com que todos tirassem os carros da garagem. Conclusão: caos total.

Saí da Zona Leste às 7h40 da manhã de carro. Com a sagacidade do motorista e o auxílio precioso de um aplicativo de celular, conseguimos chegar até o bairro da Vila Olimpia às 10h30, quase três horas depois. O congestionamento chegou a 228 km, batendo o recorde do turno. De lá, peguei um trem, vazio por sinal, até a estação do Morumbi. Como o estádio fica afastado, foi preciso mais 20 minutos de táxi, que me ajudou a fechar o trajeto todo em mais de quatro horas.

E, por incrível que pareça, conseguiu ficar pior. No meio disso tudo, um temporal resolveu baixar em São Paulo, alagando o estádio do Morumbi, palco do amistoso entre Brasil e Sérvia nesta tarde.

A volta? Não quero nem imaginar. Faz parte.