domingo, 28 de abril de 2013

Maracanã: o sonho de ver um gigante brilhando novamente

Com amigos no Brasil x Equador de 2007
O Rio de Janeiro é mesmo uma cidade maravilhosa. Não precisa ser muito exigente para olhar as nossas praias, o Corcovado e o Pão de Açúcar e constatar a beleza existente por aqui. Também não existe frieza a ponto de não se deixar contagiar com a batucada do nosso Carnaval, com a simpatia do povo e a energia do carioca. Porém, desde o dia 5 de setembro de 2010, a festa não estava completa. Falta a estrela principal: o gigante adormecido do Maracanã.

A volta do mais simpático estádio de futebol do mundo não era para todos, infelizmente. Operários e familiares, entretanto, merecidamente, garantiram o lugar na reabertura. Eu também estava com a minha entrada nas mãos, ou melhor, no pescoço. Como jornalista, teria o privilégio não só de estar presente naquele capítulo que ficará marcado para sempre na história, mas também de contar aos que lá não estavam um pouco dos acontecimentos marcantes.

Muitos já viveram momentos marcantes no Maracanã. Quem nunca vibrou com gols de Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, ou até America e Bangu? Isso sem falar na Seleção Brasileira. Ah, a boa e velha seleção...

Lembro bem de um capítulo específico da histórica do Brasil no antigo Maraca que me marcou. Era uma quarta-feira, dia 17 de outubro de 2007. Reunimos amigos do colégio e fomos assistir Brasil x Equador, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Nas apostas de placar, chuva de 2 a 1, 3 a 0, 3 a 1. Na minha vez, não pensei duas vezes e mande: "esse jogo vai ser mole: 5 a 0"! Mesmo sabendo da fragilidade do adversário, todos me chamavam de louco ou doido. Mas eu não me acanhava e saía falando para todos ao meu redor que aquele seria o placar final. Quando o jogo já se encaminhava para o 4 a 0 e, logicamente, eu perderia o bolão, veio o drible mais bonito que já vi pessoalmente na minha vida, até hoje. Robinho pegou a bola na esquerda e, de uma forma mágica, no que ele próprio batizou de dois pra lá e dois pra cá, deixou o marcador a ver navios e cruzou para o meio. Coube a Elano, cujo segundo nome, coincidentemente, também é Ralph, fazer o quinto. Final de jogo: 5 a 0. Todos tiveram que me aturar no dia seguinte na escola.

De volta ao presente, é lógico que, como em qualquer grande obra, problemas existem, mas, nada que o tempo e muito trabalho não resolvam. O Maracanã está lindo e moderno. Novo formato, instalações que não deixam a desejar em grandes estádios e, principalmente, a mesma essência carioca de antigamente.

E foi por volta das 19h30 deste dia 27 de abril de 2013 que o gigante acordou. A bola voltou a rolar. Em campo, estrelas do passado, como Ronaldo, Bebeto, Carlos Germano, Renato Gaúcho, Washington, Edilson, Pedrinho e tantos outros. O placar retratado? 8 a 5 para amigos de Ronaldo contra o time de Bebeto. O marcador real? Emoção 10 x 0 Tristeza.

As portas do Maracanã estão novamente abertas. O futebol voltou a ter a principal casa. O Rio de Janeiro voltar a estar completo.

Agora a festa já pode começar. O Maracanã voltou. E o Maraca é nosso!


No novo Maracanã (foto: Marcello Dias)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

'Invasão à Casa Branca' prende a atenção do espectador no melhor estilo norte-americano

O título dá a entender que "Invasão à Casa Branca" (Olympus Has Fallen) é mais um daqueles filmes aonde inimigos dos Estados Unidos invadem o país e tentam derrubar a principal potência mundial, é claro, sendo atrapalhados por um herói norte-americano. De fato, em linhas gerais, a ideia é exatamente essa, entretanto, a forma inteligente com que o longa é editado e o conjunto bem executado das cenas de ação tornam a obra do diretor Antoine Fuqua imperdível para os fãs do gênero.

O enredo segue a linha do melhor estilo "24 horas", seriado de sucesso aonde o protagonista demonstra habilidade suficiente para matar centenas de vilões. Em vez de Jack Bauer, no entanto, é Mike Banning (Gerard Butler) quem luta contra o tempo para salvar a pele do presidente dos Estados Unidos, Benjamin Asher (Aaron Eckhart), que é feito refém dentro da Casa Branca por rebeldes norte-coreanos. Butler, que também assina a produção com Avi Lerner e Alan Siegel, tem uma atuação dentro do esperado, o suficiente para transmitir segurança ao papel e ajudar a prender a atenção do público pelos quase 120 minutos de execução. Na história, ele vê a oportunidade certa de voltar à ativa depois de ser retirado do cargo de chefe da segurança presidencial após falhar em uma missão que resultou na morte da primeira-dama Margaret Asher (Ashley Judd).

Quem também tem um papel fundamental e brilhante na trama – só para variar um pouco... – é o veterano Morgan Freeman. Ao emprestar o talento para o porta-voz Trumbull, que acaba assumindo a presidência em meio ao período de crise, o artista guia o agente Banning ao desafio, através das afirmativas seguras e convincentes. Por outro lado, Rick Yune, que interpreta o líder dos terroristas, não tem o mesmo sucesso de outros vilões semelhantes, ficando limitado a não comprometer o bom roteiro de Katrin Benedikt e Creighton Rothenberger.

Outro ponto que vale a atenção da crítica está presente nos efeitos especiais. Orçado em 80 milhões de dólares, o filme reproduz explosões, tiroteios e invasões com muita maestria, não devendo nada a outras grandes produções similares.

Em síntese, "Invasão à Casa Branca" é um típico filme destinado a um determinado segmento de público. Aquela pessoa que não gosta de cenas com sangue e assassinatos ou que detesta o sentimento de superioridade militar dos Estados Unidos certamente não vai ficar satisfeito com o longa. Os adoradores de ação, estratégia e que curtem seriados como "CSI", "Alvo Humano" e "Flashpoint", no entanto, não podem deixar de acompanhar a obra.

Mais em www.oreporter.com.

domingo, 14 de abril de 2013

Quem tem medo do passado?

Algumas pessoas têm medo de barata, outras, de altura. Alguns não conseguem de jeito nenhum chegar perto de cemitérios à noite, enquanto outros possuem pavor de falar em público. Apesar de tudo isso, existe um temor mais comum do que poderíamos imaginar em grande parte dos seres humanos: o passado.

Mesmo não estando a metros de altitude e não exigir desenvoltura em se expressar, o passado às vezes parece tomar a forma de um bicho peçonhento, causando a sensação de escuridão em meio a um cenário devastador. Os fatos acabam sendo confundidos com obstáculos complexos, na medida em que as lembranças alagam a mente de uma maneira que torna-se impossível avançar.

Mas não é bem assim que a banda toca. O que são as decisões erradas tomadas no passado em comparação com as oportunidades de marcar um golaço no presente? Por que se ater ao que poderia ser falado lá atrás se o futuro pode ser construído a partir de agora, até com os mesmos protagonistas de antigamente?

O tempo passa, o estilo fica, o caráter permanece e a essência não muda. A mente, por outro lado, evolui, enquanto a experiência, automaticamente, vai subindo ponto a ponto, pouco a pouco.

Não há por que ter medo do passado, mas sim orgulho, por mais complicado que ele tenha sido. Quem tem medo do passado, só tem um trabalho a mais: deixar de ter.
perto de cemitérios à noite, enquanto outros possuem pavor de falar em público. Apesar de tudo isso, existe um temor mais comum do que poderíamos imaginar em grande parte dos seres humanos: o passado.