quarta-feira, 20 de março de 2013

A música perde uma voz marcante: Emílio Santiago

Emílio Santiago não era apenas um cantor, mas sim um grande artista. Com um sorriso admirável e uma das melhores vozes do Brasil, fez parte da trilha sonora de muita gente por aí. Vai fazer muita falta ao mundo da música.

Descanse em Paz, Emílio Santiago! Será, com toda a certeza, sempre lembrado!

sábado, 16 de março de 2013

Uma escolha para ser feita com atitude

Era um dia menos quente do que de costume, porém, não chegava a ser frio. Robson abriu os olhos, virou para o relógio e viu que 9h da manhã ainda era cedo para um sábado. Percebeu, também, que não havia qualquer raio de Sol entrando pela fresta da cortina. Ficou mais um tempo deitado na cama e decidiu encarar mais um complicado final de semana.

Logo após se levantar, percebeu que um barulho estranho vinha do primeiro andar do prédio aonde morava. Olhou pela janela e viu uma movimentação estranha. Carros chegando, pessoas gritando, uma correria se formando. Meu Deus, o que era aquilo? A princípio, pensou que alguém estava passando mal. Com tanta gente em volta, não conseguia identificar se era homem ou mulher, jovem ou idoso. O que podia constatar, entretanto, é que a situação estava complicada, tamanha a angústia dos cidadãos ao redor.

Robson pensou em se arrumar e descer para saber de fato o que estava ocorrendo, mas, depois, falou a si mesmo:

"Algo grave está acontecendo e eu ainda penso em tomar banho? Vou só mudar de roupa e correr para lá!", afirmou.

Quando abria o armário para pegar a primeira camisa que via pela frente, no entanto, ouviu um novo barulho. Ao contrário do primeiro repleto de gritos, por outro lado, o som agora era alto e empolgante. Parecia uma festa, um show, ou até uma comemoração. Correu novamente para a janela.

Quando abriu o vidro não viu mais qualquer situação de emergência, mas um enorme palco montado em meio ao parquinho. Crianças, jovens e adultos pulavam e cantavam enquanto uma bandinha tocava um ritmo leve e envolvente. A situação intrigou Robson. E a pessoa doente? O que aconteceu com ela? E como conseguiram mudar o ambiente de forma tão rápida.

Decidiu descer mesmo assim, contudo, desta vez pensou ter mais tempo para se arrumar. Entrou no banho, tomou café da manhã e até cogitou a hipótese de botar um perfume francês que havia ganhado.

"Perfume já é demais, não?", se auto-questionou.

Desistiu do perfume, penteou o cabelo e foi dar uma última olhada pela janela. Foi quando pôde perceber que o show acontecia mais para o canto e que, no outro lado, havia voltado a movimentação confusa.

"E agora, para que lado irei?", pensou Robson.

Em pouco tempo, uma luz clara surgiu e não o deixou enxergar mais nada. Em seguida, uma escuridão tomou conta do lugar. Seu coração disparara. Começou a ficar inquieto, nervoso e até mesmo desesperado.

Sem saída, decidiu fechar os olhos. Depois piscou. Até que os abriu novamente. Estava deitado, na cama, com o travesseiro no chão e o lençol rasgado. O relógio marcava meio-dia. Era hora de sair da fantasia e acordar.

"Ufa, era só um sonho", respirou aliviado Robson, ao mesmo tempo em que também lamentava não ter tido tempo para fazer uma escolha de qual situação acompanhar.

De repente, ouviu um barulho vindo do primeiro andar do prédio. Antes de pensar qualquer coisa, ouviu um som oriundo do outro lado da janela. O sonho, então, veio imediatamente à memória, como se já tivesse realmente presenciado aquela situação antes. Uma coisa incrível e ao mesmo tempo angustiante.

Robson sequer parou para refletir. Levantou, colocou o chinelo que já estava jogado no chão do quarto, foi andando pela sala, puxou um casaco esquecido em cima da cadeira para disfarçar a camisa de pijama e, com a outra mão, um boné que já estava por lá para não perceberem o cabelo estranho. Saiu do apartamento, pegou o elevador, se ajeitou no espelho e chegou ao primeiro andar. Estava tenso, mas, ao mesmo tempo cheio de expectativa. Afinal de contas, era de lá que o barulho estranho e o som animado vinham.

Abriu a porta e... Nada. Não viu absolutamente nada de anormal. Estava tudo como sempre. Pegou o elevador e voltou para o apartamento. Apesar de não saber, Robson tinha conquistado a primeira vitória do dia. Mesmo com o resultado não sendo o esperado, ele não perdeu tempo pensando nas hipóteses. Robson havia feito uma escolha com atitude.

terça-feira, 5 de março de 2013

Os 60 anos de um Salgueiro diferente


Lembro como se fosse ontem. Meu avô chegou em casa com um CD feito pelo Salgueiro com os três sambas finalistas de 1998. É essa a primeira lembrança que tenho do Carnaval. É essa a primeira recordação que tenho desse amor chamado Salgueiro.

Sou jovem sim. Não presenciei pessoalmente os tempos de ouro de Fernando Pamplona, Joãosinho Trinta e cia. Infelizmente, também não estava no Ita em 1993, mas, felizmente, os registros em áudios, fotos e vídeos ajudam a viajar por essa história tão bela e a ter ainda mais paixão pela Academia do Samba.

Mesmo à distância muitas vezes, sofri com os problemas que, porventura, aconteciam em alguns desfiles. Também me emocionava com a beleza de outras apresentações, fato que me fazia, muitas vezes, desligar a televisão e comemorar, falando a todos os amigos: "acabou! É campeã!"

Demorou um pouco para o título chegar, é verdade. Antes disso, briguei feio no dia de apurações com amigos e familiares, que me provocavam pela derrota. Foi assim até 2007, com Candaces, a última "injustiça", na minha cabeça.

Veio o vice-campeonato de 2008 e aqueles que zoavam viam que a redenção estava próxima. A hora de vibrar estava chegando. Em 2009, não teve jeito. Em um dos dias mais felizes da minha vida, lá estava eu, não mais com aqueles amigos, mas, na quadra da vermelha e branca, acompanhando as notas e, no fim, comemorando o tão aguardado campeonato. O tambor soou mais forte! Quem zoava, foi obrigado a ouvir.

Parece que foi ontem que vimos passar na avenida o enredo sobre os 50 anos. Agora, já comemoramos os 60! Parabéns, Salgueiro! Obrigado por fazer parte de momentos marcantes da minha vida!

Segura a Academia do Samba! Afinal de contas, ela não é nem melhor e nem pior, apenas uma escola diferente!

domingo, 3 de março de 2013

Reflexões de uma fase estranha

Se tem uma palavra que não combina em nada com a vida é a "lógica". A ausência dela no dicionário da existência humana mexe totalmente com a maneira com que todos nós lidamos com as necessidades do dia a dia, tornando a jornada uma verdadeira aventura, repleta de momentos que vão desde o êxtase até a mais dolorosa das feridas.

Quando existe um porto seguro, todos são parecidos. Com as facilidades nas mãos, não sobra tempo para pensarmos nos problemas e nem nos erros que cometemos. Com o comodismo, fica ainda mais simples a tarefa de acharmos que tudo anda 100%. Mas, será mesmo que não deixamos uma porcentagem de injustiça pelo caminho?

A grande diferença das grandes pessoas para as comuns está exatamente nas dificuldades. E isso não é nenhuma novidade, uma vez que grandes pensadores já defenderam essa tese com diversas frases de efeito. Por mais que tudo pareça em ordem hoje e fique dessa forma por longos anos, a monotonia uma hora dá lugar à reviravolta. É aí, no momento em que nos sentimos jogados de um prédio de 99 andares ou atirados em centenas de lanças das mais afiadas possíveis, que somos colocados em teste. É nesse momento que os fortes se diferem dos fracos.

Ser forte ou fraco independe de sexo, cor, massa muscular ou idade. Nada tem a ver com quem chora em momentos tristes ou com quem dá gargalhadas nas fases tranquilas. Ser forte consiste em ressurgir das cinzas quando ninguém mais espera. É fazer na própria mente que um tiro de canhão pareça um pequeno arranhão. É conseguir subir a escadaria mesmo depois de ter sido covardemente atirado do último andar. Não importa o tempo e nem o caminho percorrido. Já o fraco... Bem, deixa pra lá...

Ninguém deve se preocupar em errar. Isso sempre vai acontecer, até com o mais cauteloso do homo sapiens. A grande questão está na forma de corrigir o percalço. Se uma pessoa foi magoada há cinco anos, por que não pegar o telefone e pedir desculpas, mesmo que o envolvido nem lembre mais da sua voz? Se amigos do peito foram afastados da trajetória, por que não tentar fazer tudo o que for possível para trazê-los de volta? Por que deixar de falar com alguém importante pelo "achismo" de que isso não seria correto?

Esse papo de sociedade é sempre muito chato, mas, é inevitável que ele seja abordado em certos períodos. O povo hoje está muito preocupado em exibir as conquistas e contar as vantagens. Às vezes, atribui uma maior importância na postagem de clichês para o companheiro em redes sociais do que uma palavra sincera de própria criação dita olho no olho. Publica imagens em camarotes de festas, com bebidas e muita gente bonita e, quando chega em casa, não consegue lidar com a própria família. Prefere ser museólogo porque o vestibular é mais fácil, enquanto o sonho era ser médico - com todo respeito a quem ama e tem vocação pela museologia, cuja indagação não se aplica.

Corajosa é a pessoa que ama cantar e que liga o dvdokê no último volume mesmo sabendo que tem uma péssima voz. Feliz é aquele que veste a chuteira e vai para o campo jogar futebol sem se preocupar com o resultado ou em marcar gols na pelada. Ousado é o lutador de peso pena que desafia o peso pesado e acredita que pode ganhar, trabalhando arduamente para isso.

Ninguém passa os 365 dias do ano esbanjando conquistas. Por outro lado, também não há tempestade que dure 12 meses. Depois de todo inverno sempre vem uma primavera. Para os temporais, usa-se capa ou abre-se um guarda-chuva. Pingos sempre vão nos molhar, mas, por mais que reste apenas um pequeno pedaço da manga da camisa seco, há esperança. Nada que uma vitamina C ou um complexo B não resolva.

Em síntese, o tempo não voa, ele se teletransporta. Se dez anos se passaram e assuntos inacabados ficaram pelo caminho, corra para tentar minimizar os efeitos. Ou você vai esperar mais 36 meses? O mais importante, entretanto, é não alimentar pelos próximos três anos mais injustiças e problemas, influenciados por atitudes ou omissões infantis.