segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pra tudo se acabar no domingo - e não na quarta-feira

O galo cantou...
Já foi tempo em que tudo se acabava na quarta-feira. Hoje, tudo chega ao fim no domingo. Fim de semana esse que não tem um nome tão forte como Cinzas, mas, poderia ser facilmente batizado de domingo do Adeus.

Agora, não existe mais bonificação. Apenas penalidades. A coordenação artística tira um ponto pelo uso de elementos ocultos proibidos, enquanto a comissão de obrigatoriedades desconta dois pontos pela ausência da atitude. Na cronometragem, menos um décimo. Apesar da correria no final, os portões já haviam sido fechados. Já a dispersão... Bem, essa é a parte mais triste.

Chegou a hora de tirar a escola da Passarela do Samba. Não adianta mais ter uma fantasia bonita ou uma alegoria imponente. O jeito é reciclar todo o material.

Desde domingo, todo o enredo contado ao longo dos 82 minutos de apresentação não tem mais importância alguma. Só os três erros ficam na memória, enquanto os milhares de acertos caem no esquecimento. A comissão de frente não causou impacto, a harmonia desandou, enquanto a evolução regrediu.

Dizem que a bateria é o coração da escola de samba. Hoje, ela está vestindo vermelho. Vermelho sangue. Fator extremamente prejudicial ao conjunto, que não levou nota dez. Até mesmo o mestre-sala e a porta-bandeira não dançam mais como um casal. O samba-enredo atravessou. O patrocínio nada adiantou.

Fim do Carnaval, que de festa da carne já nada mais tem. O Sambódromo vai ficando vazio, vazio, vazio. O calor da apuração de quarta, que só cai bem a quem venceu, agora arde em febre a quem perdeu, ao fim do desfile das campeãs.

O coração não mais explode, sonhar agora custa uma fortuna e ninguém quer ir atrás de cor alguma. O samba sambou...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Reflexões do Carnaval 2013

Série A

Muita gente falou um monte de besteira. Que os desfiles na sexta-feira dariam um nó no trânsito, que a televisão se arrependeria da transmissão e que tudo seria nivelado por baixo. Pois bem. O modelo já é um sucesso, o transporte das alegorias foi um sucesso, a televisão está feliz da vida com a transmissão, que bateu uma ótima média de audiência, e o nível, com raríssimas exceções, foi alto. Além disso, ganhou a agremiação apontada pelo público e pelos especialistas como a que fez o melhor desfile. Os presidentes que ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, reconheceram o título da coirmã e elogiaram a transparência da administração da Lierj. Apesar da atuação histórica da Liga, a tendência é, a partir de agora, com mais calma, melhorar ainda mais.

Mocidade

Que fase a da Mocidade! Depois de quase cair na "era Cebola", recuperar os ânimos com Cid Carvalho e, depois, com o próprio Louzada, a querida escola de Padre Miguel voltou a decepcionar. Com um desfile bem abaixo das expectativas, ela foi a penúltima colocada, só escapou do rebaixamento porque a Inocentes foi pior e, de quebra, vai abrir os desfiles de segunda-feira. Que a recaída seja temporária...

São Clemente

A simpática escola de Botafogo, que não tem nada a ver com os problemas da Mocidade, comemora um resultado histórico, que a coloca novamente no sorteio para 2014.

É fogo

Nos últimos anos, nunca tivemos tantos problemas de fogo em carros alegóricos como neste Carnaval. Mais da metade das agremiações viram bombeiros subindo em alegorias, mandando apagar iluminações ou arrombando a porta de geradores para apagá-los. Será o calor? Ou foi mesmo falta de cuidado?

Forçar a barra

De fato, foi forçar a barra colocar a Grande Rio no desfile das campeãs. Além disso, foi sim injustiça deixar o Salgueiro apenas em quinto. Merecia um lugar muito melhor na classificação.

Chão da poesia, celeiro de bambas

Incontestável a vitória da Unidos de Vila Isabel. A escola do bairro de Noel fez um desfile arrebatador e simplesmente sobrou na avenida. Méritos para a comunidade, para os compositores, para a diretoria e, principalmente, para uma das mais fantásticas artistas da história do Carnaval: Rosa Magalhães.

Feliz 2013

Antes que eu me esqueça, embora adiantado, feliz 2013. Afinal de contas, segunda-feira finalmente começará um novo ano.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mudança de endereço

Prezados amigos,

Como nos últimos anos, estou de casa nova. A partir desta sexta-feira, meu endereço é Avenida Marquês de Sapucaí, S/N.

Nos vemos no Twitter, no Facebook, e no portal de notícias www.oreporter.com.

Estamos todos prontos para fazer história com a Lierj e a nova Série A nesta sexta e neste sábado e, no domingo e na segunda-feira, para agitar uma baita cobertura.

Bom Carnaval a todos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A bêbada, o envergonhado e o estressado em um metrô com problemas

O metrô ficou preso em duas estações (Foto: Ralph Guichard)
A semana foi complicada para usuários do Metrô do Rio de Janeiro. Com dois problemas sérios em um período de poucos dias, que atrapalharam a circulação da linha 1 em horários movimentados, o transporte da cidade passou por momentos conturbados. O que já parecia solucionado voltou a ocorrer em pleno domingo (3). Na noite em que a Unidos da Tijuca fazia o teste de luz e som do Sambódromo, o tráfego voltou a ficar irregular. Pior para a bêbada, para o envergonhado e para o estressado, que protagonizaram cenas reais no pré-Carnaval do Rio. Melhor para o jornalista que vos escreve, que pôde transformar o fato tragicômico em mais uma crônica.

Assim que cheguei na estação Saens Peña, havia um vagão pronto para deixar a plataforma rumo à Zona Sul. Apesar de tentar apertar o passo, acabei não o alcançando, uma vez que o sinal tocou e as portas logo se fecharam, quase que na minha cara. Mal sabia eu que esses segundos atrasados alimentariam a minha mente de cronista.

Não demorou muito e chegou um novo trem. Sem nenhum passageiro, limpinho, ele parecia ter vindo da garagem - ou do centro de manutenção. As portas se abriram e todos entraram. Sentei em uma daquelas cadeiras laterais, no canto da composição. Nas poltronas do outro lado, um casal de adultos já chamava a atenção. A moça, visivelmente bêbada, falava alto e reclamava com o companheiro, que não queria dormir em sua casa. O motivo? A moça estava menstruada - como eu sei? Ela mesma gritou, mais de uma vez, para todos os demais passageiros escutarem.

Mas o que já parecia engraçado e, no mínimo, curioso, ganhou ainda mais emoção. Logo quando chegou na segundo estação, São Francisco Xavier, a surpresa: as portas não se abriram. O tempo foi passando e, dez minutos depois, nada. Os passageiros que aguardavam na plataforma para entrar iam se acumulando, mas, nada das portas se abrirem. Corre funcionário para cá, corre funcionário para lá, e a tensão só aumentava. Com o tempo, fomos percebendo que o mecanismo da cabine principal não estava funcionando. Apenas quando um novo condutor entrou na cabine do outro lado, tudo se normalizou - ou não.

Com as portas abertas e novos passageiros embarcados, o sinal tocou e o metrô seguiu viagem. Até que chegou a terceira estação: Afonso Pena. Adivinhe o que aconteceu? A mesma coisa: nada das portas se abrirem. Foi o que bastou. A moça bêbada, então, desistiu de reclamar com o companheiro e começou o drama:

"Vamos todos morrer. Vai acontecer aqui o mesmo que na boate de Santa Maria. O metrô vai explodir, vai pegar fogo e todos vamos morrer!", gritava a cidadã.

Enquanto isso, um homem estressado que estava um pouco mais à frente não se aguentou, levantou, quebrou o lacre do comunicador de emergência com toda a disposição e girou o aparelho para falar com o condutor.

"Qual é o motivo da emergência?", perguntou o funcionário do Metrô. "E você ainda pergunta? Quero saber até quando vai essa palhaçada! Se as portas não abrirem eu vou quebrar", respondeu o estressado. "Senhores passageiros, a composição está com problemas para abrir as portas", se limitou a replicar o condutor - aliás, que novidade! Ninguém havia percebido que "a composição estava com problemas para abrir as portas..."

Mais correria na estação e a bêbada voltou a se inspirar. Ao notar que eu mexia em meu celular, ela resolveu tentar puxar conversa.

"Moço, filma tudo e envia para o 'Fantástico'! É a sua chance de ficar famoso", disse ela. Depois que respondi que era jornalista, parece que coloquei ainda mais pilha na pobre coitada. "Eu sabia! Eu tinha certeza que ele era jornalista. Tem cara de jornalista", respondeu a uma outra passageira, também desconhecida.

A outra pobre moça, aliás, acabou se dando mal, já que deu liberdade e acabou sendo usada como psicóloga.

"Já que você falou comigo, vou aproveitar! A minha vida está um inferno! Escolhi a profissão errada, me casei, me separei e agora meu namorado não quer ir na minha casa porque estou menstruada", desabafou. Enquanto isso, o estressado bufava e esmurrava a porta, que por pouco não quebrou de verdade.

E o tímido? Aonde entra nessa história? Ele era o coitado do companheiro da bêbada, que não sabia aonde enfiar a cara. Com o rosto completamente vermelho, ele tentava, em vão, pedir para que ela falasse baixo. Nada adiantou e o vexame foi aumentando.

Mais uns 15 minutos se passaram e as portas se abriram. A solução? Chegaram à brilhante conclusão de que o mecanismo só funcionaria se acionado da outra cabine. Sendo assim, ficaram dois condutores: um em cada extremidade, fazendo funcionar aos trancos e barrancos a composição.

Depois que tudo voltou ao normal, a estação Praça Onze chegou e desembarquei. "Boa sorte! E manda o vídeo para o 'Fantástico'", ainda pronunciou a moça alcoolizada. Agradeci, sem dar muita confiança, e saí do movimentado metrô, que mais parecia ser um cena do programa humorístico "Zorra Total", da TV Globo.

Após isso tudo, o sinal tocou mais uma vez e o metrô seguiu viagem. O tímido, a bêbada e o estressado, provavelmente, ainda protagonizaram outras cenas hilárias, mas, só essas primeiras puderam ser aproveitadas nesse texto. A história não foi parar no "Fantástico", como sonhava a moça, porém, pôde ser compartilhada com muitas gargalhadas ao redor.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

'A viagem": Quando um elenco de peso dá tom a um roteiro confuso

Não é todo dia que um estúdio de cinema consegue reunir um elenco que contenha um naipe de atores e atrizes consagrados por Hollywood, como Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugh Grant, Susan Sarandon e Hugo Weaving. Apesar do time de primeira linha, que brinda o público com grandes atuações, o longa "A viagem", dirigido pelo trio Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer, peca pelo roteiro confuso e pelo tempo de duração extremamente longo.

Com um show de maquiagem e figurino, o filme traz perfeição aos traços dos artistas, que se revezam na interpretação de diversos personagens. A obra baseada no livro "Cloud Atlas", de David Mitchell, aborda seis histórias que, apesar de distintas, em espaços históricos e anos diferentes, se cruzam e se completam através do que parece ser uma reencarnação. Desde o século XIX com um homem rico que salva um escravo até o futuro, aonde robôs buscam a liberdade, passando pelas décadas de 30 e 70, com o drama de um jovem músico e o dilema de uma jornalista decidida a provar a verdade, aventuras são passadas através de cenas de ação e, principalmente, muita reflexão.

O longa tem seus momentos positivos. Apesar de enrolado e longo demais, o roteiro é inteligente e faz o público pensar. Mesmo assim, faltam cenas de ação e o foco nas diversas histórias, que acabam tornando-se superficiais, em função da "viagem" no tempo.

Em síntese, quem ainda quiser sentar em uma poltrona de cinema para acompanhar "A viagem" deve estar consciente de que passará muito tempo sentado e que, nem sempre, será fácil continuar acordado. Por outro lado, aquele que for fã de grandes transformações nas fisionomias ou de apreciar grandes atuações vai sair da sala de projeção satisfeito. Para isso, recomenda-se permanecer nos lugares até o final dos créditos, uma vez que a "aula" de efeitos especiais acontece depois do término das histórias.

A viagem
Nota de 'O REPÓRTER': 7
Ano de lançamento no Brasil: 2013
Duração: 2h52
Gêneros: Drama, ficção científica e suspense
Direção, roteiro e produção: Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer
Roteiro original: David Mitchell
Atores: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugh Grant, Susan Sarandon, Hugo Weaving, Doona Bae, Jim Sturgess, Ben Whiswaw, James d'Arcy, Keith David e Zhou Xun

Publicado em O REPÓRTER